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Notícias
Urbis promove troca de experiências entre
representantes de 39 países
28/6/2004 - Secretaria de Relações
Internacionais
Durante cinco dias, a Urbis 2004 reuniu no Expo Center Norte de São
Paulo, entre 14 a 18 de junho, 130 estandes, 39 países, 19.400
visitantes, além de 109 conferencistas, dos quais 42 estrangeiros.
O espírito que dominou a feira foi de encontro e congraçamento.
Prefeitos e secretários de diferentes pontos do planeta partilharam
experiências. Cidades vizinhas se conheceram melhor. Cooperativas
e associações expuseram seus produtos.
Só mesmo em uma feira como essa, em uma cidade como São
Paulo e um país como o Brasil é possível reunir,
sob o mesmo teto e em paz, uma vice-prefeita israelense e um vice-prefeito
palestino, observa Evaristo Nascimento, diretor da Alcantara Machado
Feiras de Negócios, que promoveu e organizou o evento em parceria
com a Prefeitura Municipal de São Paulo e a Anhembi Turismo e Eventos.
Ele se refere a Yael Dayan, vice-prefeita de Tel-Aviv (em Israel), e a
Ali Al-Husseini, vice-prefeito de Jericó (na Palestina), ambos
participantes dos painéis realizados no congresso que, que juntamente
com a feira, integrou a Urbis 2004.
Milão ao lado de Pequim, Osaka frente a frente com Jericó,
Lisboa junto às Mercocidades. Nos estandes que ocuparam o centro
de exposições, as diferenças culturais e lingüísticas
não foram obstáculo às aproximações.
Trocamos experiências com São Paulo, Campinas e outras
cidades sobre problemas de tráfego e sistema viário, tratamento
e distribuição de água, diz o vice-prefeito
Ali, de Jericó, a cidade mais antiga e mais baixa do planeta, e
onde se encontram referências históricas do cristianismo,
como o Rio Jordão.
A troca entre Milão e São Paulo foi celebrada com a doação
de recursos para a recuperação da Praça de Milão,
no Ibirapuera, e a construção de um centro comunitário
no Jardim São Francisco, na Zona Leste. Temos laços
estreitos e afetuosos com São Paulo e muitos pontos em comum,
afirmou Salvatore Carrubba, secretário da Cultura e Relações
Internacionais de Milão. Em outubro, a cidade italiana sedia uma
mostra de arte barroca brasileira e, em dezembro, uma mostra de cinema
nacional. Apesar de sermos uma cidade rica, a renda per capita de
São Paulo é menor que a do Rio de Janeiro e Belo Horizonte
e 20 vezes menor que a de Nova York, lembrou a prefeita Marta Suplicy.
Por isso cooperações com cidades amigas, como Milão,
são tão importantes para nós, afirmou a prefeita
de seu gabinete montado dentro da feira, de onde despachou durante os
cinco dias do evento.
Lisboa apresentou-se como uma cidade moderna e movimentada. Viva,
pelo seu projeto de recuperação urbana; ativa, por conta
dos grandes projetos urbanísticos, com a participação
de arquitetos nacionais e internacionais; e criativa por ser uma cidade
multicultural, preocupada com meio ambiente, esporte e cultura,
explica Helena Caria, chefe de divisão de Difusão de Informação
Urbana de Lisboa. De volta para Portugal, os lisboetas levam experiências
compartilhadas com Havana, Jericó, Paris e Boston. São
cidades muito diferentes entre si, mas é bom conhecer seus modelos
de gestão.
A Cidade de Guatemala dividiu um estande com a Cidade do México
e a de San Salvador, todas na América Central. Gustavo Paredes,
coordenador da Oficina de Relações Internacionais e Turismo
da cidade de Guatemala, diz estar surpreso com as semelhanças que
encontrou entre o sistema de transportes que acabam de adotar e o de São
Paulo. Baseamos o nosso sistema de transportes no de Santa Fé,
na Colômbia e no de Quito, no Equador, afirma.
Ali perto, o estande das Mercocidades chamava a atenção.
Somos uma rede de 127 cidades dos quatro países do Mercosul,
mais os membros associados Chile e Bolívia, e agora também
do Peru, que acaba de solicitar seu ingresso, observa Jorge Rodriguez,
responsável pela Secretaria Técnica Permanente da rede.
As Mercocidades pretendem construir um Mercosul mais justo e solidário,
do ponto de vista das cidades, diz ele. As cidades mantêm
cooperação em doze áreas, entre elas cultura e meio
ambiente. Sua população soma 70 milhões de pessoas.
Cidades brasileiras - Entre as cidades brasileiras, a troca também
foi grande. Diadema, na região metropolitana de São Paulo,
trouxe sua experiência na área de Segurança, com a
secretária da Defesa Social, Regina Miki. Viemos expor o
que fizemos no Plano de Segurança Municipal e, pelas experiências
que pude registrar, de cidades como Madri e Barcelona, levo a certeza
de que estou no caminho certo. Em 2001, Diadema ocupava o 1º lugar
no ranking de homicídios das cidades com mais de 100 mil habitantes.
Hoje está em 13º, diz ela.
Belo Horizonte mostrou seus principais programas nas áreas de saúde,
educação, transportes, saneamento e meio ambiente, com destaque
para a cultura. Nossa exposição na URBIS significa
a possibilidade de uma troca de informações. Levamos muito
material sobre as intervenções de políticas públicas
das várias prefeituras, explica Maria Auxiliadora Gomes,
da coordenadoria de Participação Popular. O estande fez
uma parceria com o restaurante Consulado Mineiro, de São Paulo,
e ofereceu um coquetel para os visitantes do estande que foi um
sucesso.
Santo André trocou experiências com as Mercocidades, na área
de desenvolvimento econômico, e com Milão, na área
de desenvolvimento econômico e educacional, além de mostrar
seus projetos de educação, ciência e tecnologia, saúde,
transporte e meio ambiente. Lins apresentou seu bem sucedido projeto no
combate à dengue, reduzida a 19 casos, e o geo mapeamento como
ferramenta para o planejamento das atividades municipais.
Recife apresentou políticas públicas sobre urbanismo, trabalho
e renda, esporte e lazer e saúde. Mostramos particularmente
o programa Redução de Danos, que trata de pessoas adictas
ao álcool e outras drogas, da educação no trânsito,
das DST e Aids, e doentes mentais. É conhecido como Mais Vida,
explica Silvana Torres, assessora especial da Secretaria de Turismo do
município. No congresso, participamos de conferências
sobre resíduos sólidos, saneamento e economia solidária.
Houve muita atividade também na área de Economia Solidária,
com a participação de 89 empreendedores de vários
estados do País. Todos trouxeram seus produtos para exposição
e venda, entre elas algumas cooperativas de reciclagem de lixo. Para Eduardo
Ferreira de Paula, diretor da Coopamare, participar da Urbis significou
dar mais conhecimento ao público sobre a cooperativa de catadores
e o que a gente está fazendo, além de abrir algumas portas
para a venda dos nossos produtos. Entre eles havia abajures de bagaço
de cana, cinzeiros de lata de sardinha, vassouras e bolsas de pet.
Participaram ainda da Urbis entidades de fomento, entre elas o Sebrae
e a Caixa Econômica Federal. Bruno Quick, gerente da unidade de
Políticas Públicas do Sebrae nacional, observa que participar
da Urbis dá visibilidade ao papel das pequenas empresas no
desenvolvimento dos municípios brasileiros, do ponto de vista da
geração de emprego e renda e do desenvolvimento local sustentável.
O Sebrae apresentou o prêmio Prefeito Empreendedor, que divulga
os prefeitos ou gestores municipais com projetos bem sucedidos, e promoveu
apresentações de cerca de 30 casos exemplares.
O estande da Caixa Econômica Federal na Urbis 2004 reproduziu uma
micro cidade com prefeitura, escola, supermercado, lotérica, praça
e imóvel residencial, representando as áreas de atuação
da instituição - tradicional parceira de estados e municípios
e um dos principais agentes de desenvolvimento do País. Uma equipe
de profissionais colocou à disposição sua experiência
técnica para análise e acompanhamento de projetos de desenvolvimento
urbano e mostrou produtos e serviços de interesse dos municípios:
modernização da gestão de prefeituras e governos
estaduais, crédito a atividades produtivas e incentivo ao desenvolvimento
sustentável em áreas como educação, turismo,
saúde, meio ambiente e recursos hídricos.
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