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Notícias
Desemprego é debatido em conferência
autogestionada
21/6/2004 - Vicente Gioielli / Prefeitura.SP
A conferência autogestionada Geração de Emprego e
Renda, Participação Cidadã e Desenvolvimento no Mercosul
e no Chile, realizada na sexta (18/6) na Urbis, discutiu o que os governos
locais podem fazer para gerar emprego e renda de forma sustentável.
Trazendo suas preocupações e soluções
para a questão, representantes de Buenos Aires (Argentina), Montevidéu
(Uruguai), Chile e São Paulo demonstraram estar em sintonia no
que se refere ao combate ao desemprego. O modelo liberal aplicado
em toda a América Latina, implicou no aumento de desigualdades
sócio-econômicas, e hoje temos que lutar contra os sintomas,
disse Silvio Caldas, convidado representante do Instituto Pólis
para participar da mesa.
Graciela Sessa, Secretária do Desenvolvimento Social de Buenos
Aires, comentou a crise pela qual passou seu país nos últimos
anos e como estão se reestruturando. O social foi muito abalado
pelos problemas econômicos aos quais fomos atingidos. Estamos recriando
a cultura do trabalho, estimulando a iniciativa privada e a sociedade
civil a se unirem para que mais empregos sejam gerados, disse. Graciela
trouxe também a problemática do governo local desenvolver
seus próprios mecanismos de desenvolvimento social. Algumas
regiões têm estruturado ações de troca de conhecimento
entre os mais jovens e os mais velhos, para que nenhum fique parado. É
também uma forma de socialização, concluiu.
Para o Secretário Municipal de Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade
de São Paulo, Márcio Pochmann, o governo local não
tem como lutar contra o desemprego se não obtiver ajuda do Estado
e do Governo Federal. É impossível que o município
consiga alavancar os empregos se estamos há 25 anos sem crescimento
econômico sustentável no Brasil, disse. Outro fator
apresentado por Pochmann para a falta de planejamento do país é
a guerra fiscal. Ela trouxe prejuízos incalculáveis
para a nação. Hoje precisamos descentralizar a arrecadação
de tributos e dar maior repasse aos municípios, afirmou.
O Secretário ainda trouxe um dado novo para a cidade de São
Paulo, de que 6 em cada 10 empregos gerados desde 2001 estão na
periferia. Isso mostra que, com bom investimento, a periferia pode
ser valorizada e o município crescer em sua totalidade, encerrou.
A questão da solidariedade foi tratada pelo Secretário de
Promoção Econômica de Montevidéu, Juan Carlos
Bengoa. A morte de uma fábrica é o desaparecimento
de um sindicato e, por tabela, da socialização. Enfocar
a capacitação dos jovens e permitir uma integração
em rede dos pequenos e médios empresários, recria-se laços
de contato, portanto de auto-ajuda, disse Bengoa.
Representando o Chile, Samuel Garrido, do Ministério do Interior,
disse que o governo de seu país chegou a cogitar a hipótese
de se abrirem vagas nos órgãos públicos para tentar
amenizar o alto índice de desemprego, mas que a decisão
foi para outro sentido, formando parcerias com a iniciativa privada não
sobrecarregando, assim, o governo. Uma bolsa eletrônica de
empregos foi criada para que os perfis dos trabalhadores sejam bem encaminhados,
concluiu.
Comentando o que foi apresentado pelos representantes de cidades da América
do Sul, André Herzog, do Banco Mundial, afirmou que, sozinhas,
as regiões metropolitanas não dispõem de instrumentos
fiscais e políticos que possibilitem uma queda significante do
desemprego. Os municípios têm assumido novos papéis
com as crises macroeconômicas, mas não conseguiram mudar
as coisas sozinhos, disse.
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