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Helena
Kerr
(Secretária de Gestão Pública do Município de São Paulo)
De que modernização na gestão pública queremos falar? Fomos convidados
a debater nesta mesa o desafio de construir uma gestão pública eficiente
tendo como meta estratégica a democratização da gestão. As realidades
nacionais e regionais certamente colocarão diferentes ênfases nos
problemas a serem enfrentados. Mas é certo que a administração pública
precisa ser modernizada.
O que queremos com novas técnicas de gestão, com uso de tecnologia
de informação nas nossas administrações municipais? Eficiência e
inclusão andam necessariamente juntas? O discurso da modernização
muitas vezes oculta grandes divergências. Estamos todos falando
da mesma idéia de inovação na gestão pública e reestruturação da
burocracia para melhorar a prestação de serviços urbanos e sociais
para todos?
Quais são nossas idéias ou ideais de democratização da gestão pública?
Com que instituições e projetos elas se realizam? Quais as possibilidades
de se falar hoje numa gestão municipal democrática moderna e eficiente?
Em particular nos países com problemas econômicos estruturais? Políticas
públicas de âmbito nacional e internacional são necessárias para
estimular e ampliar esforços locais de inovação?
Tenho certeza de que não existe consenso sobre a necessidade de
criação de novas instituições para o controle e a concertação social.
Quem quer uma nova regulação para enfrentar o uso desigual (e muitas
vezes ilegal) do espaço urbano para tornar a vida urbana mais democrática?
Qual seria uma visão estratégica de reforma capaz de orientar uma
transformação significativa da gestão pública em grandes centros
urbanos como São Paulo?
Gostaria de pedir que nossos expositores falem de suas visões sobre
para onde ir. Planos de vôo, mapas genéricos de visões de futuro.
Queria também que tratassem da capacidade de governo. Novas formas
de gestão pública são necessárias para lidar com a perda da capacidade
dos governos. Qual o papel das tecnologias de informação para a
coordenação das ações governamentais? Como melhorar a gestão do
recurso estratégico que é o conhecimento?
Com as grandes transformações por que passam os governos locais,
seria extremamente rico para nós, se possível, que nossos convidados
de hoje abordassem estratégias de implantação das mudanças do modelo
de gestão e de organização do trabalho que possam contribuir para
o aumento da capacidade de governo municipal.
A sociedade contemporânea se caracteriza pela crescente diversidade,
complexidade e fragmentação. Fica cada vez mais difícil obter consenso.
Os governos precisam ser cada vez mais capazes de acompanhar a sociedade.
A fragmentação aparece em identidades sociais mais temporárias,
flexíveis e fluidas. Como contribuir para a reconstrução da coesão
societal, identificar novos modos de encontros e responder a novas
coalizões de interesses? Interessa ampliar o acesso à elaboração
das políticas públicas?
Imagino que nesta tarde possamos analisar modelos de gestão (capazes
de servir para prestação de contas e responsabilização), estratégias
de transição, modelos de decisão e técnicas para aumento de capacidade
estrutural (analítica e modelos de decisão, difusão e disseminação
que ajude a dar coerência para as ações). Temos a expectativa de
que os senhores possam ilustrar o tema com exemplos bem-sucedidos
de modernização e de análise do papel dos atores que realizaram
essas mudanças. Queremos também tratar dos limites e das possibilidades
de equacionar estas questões no nível local.
De quais mudanças estamos falando?
1. Da mudança no padrão de gestão, o que envolve melhoria no gerenciamento
de serviços sociais (gestão de rede de equipamentos), na regulação
pública sobre a cidade, na administração do território e no próprio
modelo de gestão.
2. Da implantação de novos sistemas de informação e gerenciamento,
considerando-se que o uso intensivo da informática e das telecomunicações
é condição necessária para a transparência, eficiência e acesso.
3. De uma verdadeira revolução no modelo de gestão de pessoas no
setor público, revendo as concepções de carreira e democratizando
as relações de trabalho.
4. De uma política efetiva de descentralização.
5. De uma estratégia de capacitação e de mudança de comportamento,
para se criar processos reais novos e uma verdadeira mudança de
padrão.
José Roberto Afonso
(Superintendente do BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social, Brasil)
Modernização na Gestão Pública era um tema tido como excêntrico,
exótico, tanto que houve descrença quando o BNDES criou a linha
para seu financiamento. Dentro do próprio BNDES, não acreditávamos
que haveria interesse do setor público na modernização administrativa.
No entanto fomos surpreendidos com o grande número de interessados.
Tratarei o tema esquematicamente com três enfoques: no primeiro
abordarei a experiência brasileira recente; em seguida uma avaliação
rápida desta experiência e por último farei considerações sobre
o programa do BNDES e do caso específico da cidade de São Paulo.
A modernização tributária foi o ponto de partida para um processo
mais amplo de reestruturação dos governos brasileiros. Neste processo,
a implantação do governo eletrônico foi uma prioridade do governo
federal e crescentemente nos governos subnacionais.
A demanda por fortes investimentos em novas tecnologias de informações
e comunicação além cobrança da sociedade por melhores serviços públicos
são algumas das razões para o interesse na modernização. Com esse
impulso, temos inclusive ganhado reconhecimento internacional. Um
bom exemplo é o prêmio dado pela Microsoft à Receita Federal, pelo
sistema de entrega eletrônica da declaração de renda. No entanto,
este processo de modernização tem sido rápido, desigual e descoordenado,
como tudo na federação brasileira.
Os investimentos em modernização são de montante reduzido, mas trazem
retornos elevados e contínuos, a começar pelo aumento da arrecadação.
O processo foi ampliado pela criação de dois financiamento federais:
o PMAT (Programa de Modernização Administrativa e Tributária e Gestão
dos Setores Sociais Básicos) financiado pelo BNDES, que começou
por inspiração no financiamento concedido pelo BID para modernização
das máquinas fazendárias estaduais (PNAFEM - BID/MF).
Com a nova realidade fiscal, o foco inicial foi na administração
tributária. Mas já avança em direção à modernização em setores sociais
básicos, como saúde, educação e segurança, no qual a Prefeitura
de São Paulo tem projeto pioneiro.
Na modernização da gestão pública, o autofinanciamento é mais importante
que o financiamento externo. O que começa como um projeto deve tornar-se
um processo, pois são feitos investimentos principalmente em equipamentos
que se tornam obsoletos, demandando novos investimentos periodicamente.
Como avaliação da disponibilização de serviços dos estados na Internet,
vemos que o resultado obtido é comprovadamente bom. De acordo com
levantamento do Confaz e do BID de setembro de 2001, com 38 serviços
que podem ser disponibilizados pelas fazendas estaduais na Internet,
três estados brasileiros disponibilizam mais de 25 destes serviços.
Sete estados disponibilizam mais de 15. São centros de excelência
que começaram nas fazendas estaduais.
Pesquisa do IBGE derruba o mito de que os pequenos municípios são
atrasados no Brasil. O grau de informatização apurado em pesquisa
com 5506 municípios em 1999 foi surpreendentemente alto: quase 60%
das prefeituras tinha cadastro imobiliário informatizado. Quase
metade tinha cadastro eletrônico de INSS. Há nitidamente uma mudança
e ainda um interesse enorme em se modernizar.
Pesquisa da ONU com 169 países para medir a presença do governo
na web colocou o Brasil como o 18° do ranking. Estamos à frente
de países como Itália e Japão. Dos três critérios para o ranking,
o em que o Brasil mais se sobressaiu foi a disponibilização de pagar
por serviços públicos e outras transações on line. Os critérios
deficientes foram os de infra-estrutura de telecomunicações e capital
humano.
O BNDES oferece apoio técnico e financeiro para os governos interessados
em modernização. O apoio financeiro é realizado pelo PMAT, o técnico
pelos dados do Banco Federativo. Os arquivos do Banco Federativo
estão disponíveis gratuitamente na web, o que é barato e de fácil
acesso.
O PMAT busca o fortalecimento das administrações municipais, com
o aumento da arrecadação e aproveitamento do potencial de arrecadação
tributária, redução da dependência das transferências e geração
de recursos para investimentos sociais. É também fortalecida a capacidade
gerencial, normativa e operacional das administrações pelo acesso
às novas tecnologias de informação e comunicação. Seus focos são
os cadastros fiscais de arrecadação e cobrança, fiscalização, legislação,
contabilidade, patrimônio, gestão de recursos humanos, licitações
e compras, contratos, energia, saúde, educação, ação social e atendimento
ao cidadão.
A carteira total do PMAT conta com 31 cidades (onze capitais) já
contratadas, 60 cidades (seis capitais) aprovadas e 95 municípios
em exame, sendo três capitais. Numa primeira avaliação do PMAT percebemos
que cada município tem uma experiência de destaque diferenciada.
Isto porque cada projeto do PMAT é único, elaborado de acordo com
a especificidade de cada cidade. O Instituto Pólis está realizando
um estudo para medir os ganhos de receita dos municípios com o PMAT.
O projeto da Cidade de São Paulo, contratado no último dia 15 do
mês passado, abrange as áreas fazendária, administrativa, energética
e de saúde. A introdução da área de saúde é uma novidade do município
de São Paulo. No entanto os outros municípios com projetos somente
tributários podem negociar ampliação dos seus projetos.
Os impactos previstos do PMAT de São Paulo envolvem ganhos de receita
de 1bilhão de reais por ano, nos próximos oito anos. Isto representa
26% de crescimento da receita em relação a 2001, provocando um efeito
multiplicador da receita de 91. Associando à esperada redução de
gastos, o efeito multiplicador geral do projeto será de 72 - o que
significa 72 reais de ganho para cada 1 real investido.
Com este panorama da modernização, observamos uma nova cultura fiscal
no Brasil, onde há menor ênfase nas mudanças legislativas e maior
relevância na disciplina, transparência e responsabilidade fiscal,
ou seja, trata-se de um novo padrão de governar. A despeito da diversidade
de situações, observamos um cenário positivo e promissor. A Federação
Brasileira está mudando muito rápido e, principalmente, para melhor.
Peter Spink
(Professor da Fundação Getúlio Vargas - SP e coordenador do Programa
Gestão Pública e Cidadania, Brasil)
Modernização se refere à contemporaneidade. Modernizar é o processo
de tornar atual, de responder à atualidade. Mas qual é a atualidade
a que nos referimos? Uma parte desta atualidade são 7% das famílias
brasileiras com renda familiar superior a R$ 3.000,00 e 40% da população
nacional - 70 milhões de pessoas - vivendo com menos de R$ 2,50
por dia. Outra parte são as taxas de mortalidade infantil: tanto
no Nordeste quanto no Sudeste, nos 20% mais ricos ela é de 10 mortos
por mil nascidos e nos 20% mais pobres é de 100 por mil.
No Brasil, temos direitos civis enfraquecidos, com falta de segurança
e de justiça, direitos políticos até há pouco restritos, mas agora
em expansão, e direitos sociais de difícil acesso, cada vez mais
ameaçados.
Na administração pública atual, não basta o puro crescimento da
oferta de serviços públicos sem se prestar atenção à prática da
cidadania. Perguntamos: é possível uma administração pública eficaz
e efetiva preocupada com as conseqüências?
Para responder esta questão faremos um teste, utilizando o Programa
Gestão Pública e Cidadania, da Fundação Getúlio Vargas, Fundação
Ford e BNDES, criado em 1996. O programa visa encorajar, por meio
de uma premiação anual, governos estaduais, municipais e organizações
dos povos indígenas a resolverem suas questões públicas e necessidades
da comunidade de maneira inovadora, e a divulgar, contar e disseminar
estas práticas criativas.
Podem participar projetos, programas ou atividades que tenham no
mínimo um ano efetivo de implantação. A inovação não é uma idéia,
deve ser uma prática que produza impacto positivo na vida das pessoas
diretamente afetadas, aumente o diálogo entre setor público e sociedade,
além de usar os recursos de maneira responsável.
A participação na premiação tem sido bastante representativa: em
1996, ano de criação do programa, tivemos 629 inscritos. Em 1997,
devido à realização de eleições municipais no ano anterior o número
caiu para 297 inscritos. Com esta queda, resolvemos fazer uma pesquisa
com todos os 629 inscritos em 96 para avaliar se a troca de mandato
interrompeu as práticas. Percebemos que 80% dos programas ainda
estavam em funcionamento, mesmo com a troca de prefeitos, o que
revela continuidade das práticas. Em 1998 foram 631 inscritos, em
1999, 888. Em 2000 tivemos 946 e em 2001, 727, também pelo reflexo
das eleições. Para este ano de 2002, temos 980 práticas inscritas.
Nos primeiros seis anos do Programa Gestão Pública e Cidadania,
21% das práticas inscritas eram dos governos estaduais, 78% dos
governos municipais e 1% dos povos indígenas. Analisando a origem
das práticas por região do país, vimos que a distribuição dos inscritos
muito se assemelha à distribuição da quantidade de municípios em
cada região geográfica. Analisando por tamanho da população, temos
que as porcentagens de inscritos aproximadamente obedece à porcentagem
de municípios brasileiros em cada faixa populacional.
Os próprios inscritos se caracterizam por áreas de atuação. As áreas
variam de serviços públicos, educação e cidadania, desenvolvimento
econômico e social, infra-estrutura e meio ambiente, judiciário
e legislativo. Vemos uma distribuição por todas as áreas, com exceção
do judiciário e legislativo, que inscrevem um número bastante reduzido
de práticas.
Uma grande surpresa que tivemos com a análise das práticas vem das
alianças e parcerias. as práticas inscritas envolvem parceria na
maioria dos casos. Apenas 20% relataram não ter aliança ou parceria.
Em quase metade, observamos parcerias tanto com outras agências
públicas quanto com organizações da sociedade civil, um número muito
significativo. Estas alianças envolvem organizações bem mais complexas
que simplesmente ONG's de áreas de atuação especifica. Envolvem
associações de moradores, empresas privadas, organizações de classe
e sindicatos de trabalhadores, igreja entre outros. Mas, o que mais
nos surpreendeu foi a razão das alianças.
Ao contrário do que se pensa usualmente, a principal razão das alianças
não é dinheiro! É errônea a idéia que o setor público busca o setor
privado para obter recursos para projetos. A maioria busca parceria
técnica, operacional ou de implantação. Em um número maior de casos
observou-se a parceria financeira entre dois entes governamentais.
A relação buscada com o setor privado costuma ser mais de comunicação
- troca de informações, opiniões, articulação social que solicitação
de recursos.
Podemos também fazer uma comparação entre o modelo clássico de administração,
baseado na autoridade, hierarquia, regras formais e fixas. Caracterizado
por relações impessoais, ligadas ao papel (técnico 1, 2, 3) com
uma divisão do trabalho em que cada um faz só o seu papel.
Na gestão de projetos da ação social, temos uma cultura de ação,
onde se busca realizar com uma abordagem incremental, sem grandes
preocupações com planejamento ou metas. São normalmente projetos
que não têm um nome, que começam apenas como um problema que demanda
solução. Não é o "Plano Estratégico de Recursos Hídricos" e sim
o "problema da água" que depois pode vir a se tornar o tal "Plano".
Nesta abordagem de gestão, a gerência é vista como coordenação,
de uma forma mais horizontal. Há um contato diário entre coordenação
e operação. As pessoas não tem medo de usar suas habilidades, as
habilidade são valorizadas no aprender fazendo. Muitas vezes exageramos
no treinamento por não vermos as capacidades das pessoas.
Isto é o empowerment ("empoderamento") da gestão local. É isso que
tem ocorrido em projetos como os inscritos no Programa Gestão Pública
e Cidadania. As pessoas sabem que aquilo que elas estão realizando
tem significado, que resolve algum problema prático. O importante
é ser solidário, saber rir, ser movido pelo desafio, sem medo de
errar. Essa dedicação é a essência do alto desempenho. E é isso
que as empresas privadas buscam! Algo que estamos tendo na área
pública, na gestão de projetos da ação social. É só dar espaço,
liberdade e estímulo.
A nova gestão pública não é um sonho. Ela não só é possível como
está acontecendo.
Ricardo
Santiago
(Gerente do Departamento Regional de Operações I - BID - Banco Interamericano
de Desenvolvimento - Washington, EUA)
O BID possui mais de 40 países acionistas e mais da metade de seu
capital vêm de países da América Latina e Caribe. O Brasil é o 2°
maior acionista. O BID tem dado muita atenção à necessidade de programas
de modernização da gestão pública na América Latina e Caribe. Eu
teria duas formas de apresentar aqui o tema: de uma maneira conceitual
ou por meio de exemplos do Brasil e da América Latina. Pois é isso
que nós fazemos no BID, replicar experiências de êxito.
Em que contexto vamos discutir a modernização da gestão democrática?
São dois os grandes temas do contexto relacionados aos trabalhos
com governos subnacionais. O primeiro é o processo de urbanização
da América Latina, extremamente acelerado. Hoje, 75% da população
da América Latina é urbana. São 380 milhões de pessoas vivendo nas
cidades. E o processo é inacabado: projeções indicam uma estimativa
de que em 30 anos teremos 680 milhões de habitantes nas áreas urbanas.
O segundo ponto é o momento histórico, com descentralização fiscal,
política e de atribuições, acentuada pela Constituição Federal de
1988.
Quando pensamos na gestão democrática, é necessário consideramos
também quatro grandes problemas: o primeiro é a imperfeição do marco
regulatório do processo de transferência e descentralização. O segundo
é a escassez de recursos para atender às demandas de resgate social.
O terceiro são as habilidades (ou sua falta) e capacidade dos municípios
e governos subnacionais para assumir as novas tarefas. O quarto
e último é relacionado à questão da governabilidade, ou seja, administração
para quê? No nosso contexto, o terceiro e quarto problemas são mais
importantes.
Para o primeiro problema, o que precisamos fazer é definir uma estrutura
bem desenhada de incentivos. Na Bolívia houve uma descentralização
do sistema de estradas e rodagens para o âmbito municipal, mas não
havia nenhum tipo de incentivo para os governos locais recuperarem
ou construírem estradas e interligarem-se, ou seja, o sistema fracassou
e está sendo revisto.
Quem assume a tarefa deve possuir incentivo e recurso para tal.
Entramos, assim, no segundo problema, onde paradoxalmente afirmo
que há grande necessidade de restrições orçamentárias, pois, principalmente
pela a falta de recursos disponíveis, as decisões de investimento
devem ser tomadas com responsabilidade. As formas de financiamento
local devem ser bem definidas e privilegiar formas de investimento
do setor privado.
Mas para isso há o requisito de sistemas de gerência financeira.
O terceiro problema trata desta questão - da falta de aparato de
gestão dos governos subnacionais. E de seus problemas de arrecadação,
que aumentam a dependência de transferência de recursos.
Dentro deste problema são três os tipos de investimento que devem
ser destacados: em sistemas de gestão de recursos humanos; em sistemas
de gerenciamento fiscal (tal como o PNAF financiado pelo BID); e
em sistemas de gerenciamento de estruturas que permitam flexibilidade.
Estes sistemas devem atender também a certas exigências e à transparência.
Os sistemas de avaliação e controle dos recursos públicos no Brasil
estão muito atrasados. Curiosamente, no próprio BID enfrentamos
este problema de falta de avaliação e controle adequados. Não temos
confiança de que muitos projetos na América Latina conseguirão atingir
seus resultados. Contudo, buscamos que os níveis de desempenho exigidos
sejam aceitáveis.
Quanto à questão da governabilidade do processo de modernização
da gestão democrática, é necessário construir mecanismos eficientes
e acessíveis de participação social. Principalmente mecanismos de
representação e monitoramento. Há três componentes absolutamente
relevantes: 1) atenção ao cidadão - atendimento eletrônico, agilidade,
estabelecimento e atendimento de prazos, treinamento e capacitação
dos servidores; 2) acesso às informações governamentais - transparência,
responsabilização, audiências públicas, informações disponíveis
na internet, etc.; 3) poder de tomada de decisão por parte do cidadão
- reformas eleitorais para melhorar a representação, mecanismo de
representação de minorias e outros.
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