David Gordon - Para durar, programas precisam de
participação
O professor da
Universidade de Bristol David Gordon é formado em Biologia,
Geologia e Políticas
de Combate à Pobreza, participa do Experts Group on Poverty
Statistics da ONU e
dirige o Towsend Centre for International Poverty Research, cujo
objetivo é a
Erradicação da Pobreza. Por seu trabalho na área,
foi escolhido para escrever um
dos Documentos-Guia da Conferência de Lançamento. Veja
abaixo os principais
trechos de sua entrevista.
Rede 10 - Como está
a situação de pobreza urbana na
Europa?
David Gordon - Houve uma
série de acordos nos
últimos dois ou três anos dentro da União
Européia, em que todos concordaram
que a pobreza não deveria existir até o final do
século 21. Alguns países
específicos possuem políticas públicas para
erradicar a pobreza antes disso,
como o Reino Unido. A meta é erradicar a pobreza nos
próximos vinte anos.
R10 - Qual é o
conceito de pobreza adotado na
Europa?
Gordon - Na Europa, vê-se
além do conceito de
pobreza. Busca-se o conceito de inclusão social. Por exemplo, as
pessoas pobres
não podem participar porque não têm dinheiro,
deficientes não podem participar
porque não há instalações apropriadas para
eles, mães com crianças não podem
participar pois não há creches. Por isso, a
inclusão social proporciona uma
visão da pobreza, mas também inclui a todos como
cidadãos que participam
integralmente da sociedade.
R10 - Qual é a
principal função do programa URB-AL dentro do
processo de globalização?
Gordon - O URB-AL e a Rede 10
são muito importantes por compartilharem
informações sobre o que funciona e o
que não funciona nas políticas públicas de combate
à pobreza urbana. A América
Latina e a Europa têm em comum o fato de que 90% da
população vivem em áreas
urbanas, principalmente em megacidades como Londres, Paris, São
Paulo. Isto é
uma receita para uma comunidade justa com participação
social. Os governos
europeus estão bastante determinados a proporcionar que todos
disponham dos
benefícios da globalização e que as
deficiências sejam sanadas para que ninguém
sofra com elas.
R10 - Com
relação à Rede 10, o senhor acredita que seja um
novo modelo do desenvolvimento de políticas públicas?
Gordon - Espero que sim. Tanto a
União Européia quanto
a América Latina deveriam compartilhar suas boas
experiências. Na América
Latina, por exemplo, em São Paulo, há uma grande
experiência que a União
Européia gostaria de conhecer. No caso das experiências
européias, temos
sistemas de assistência social que podem ajudar São
Paulo.
R10 - Qual a
importância da participação da sociedade no
combate à pobreza?
Gordon - Sabemos, por meio das
experiências que tivemos na União Européia, que os
programas não são de longa
duração se implementados somente por nós. Para
erradicar a pobreza, você precisa
da participação da comunidade. Sem ela a seu lado,
você não tem base. A
comunidade vota nos políticos, sabe onde estão os
problemas, dá o feedback que,
de outra maneira, você não teria condições
de saber se o programa está
funcionando ou não. Mas para que haja a
participação do povo, você tem que
fazê-lo acreditar que pode participar, pode expressa-ser e ajudar
na criação de
políticas públicas. É disso que a democracia
é feita.
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