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Notícias
Experiências de regularização
de assentamentos informais são discutidas em conferência
18/6/2004 - Secretaria de Relações
Internacionais
A conferência "Políticas Metropolitanas: Urbanização
e Regularização de Assentamentos Informais", realizada
na quinta-feira (17/6) na Urbis, abordou as experiências de cidades
da África do Sul, México e Brasil na melhoria das condições
habitacionais da população após longos períodos
de regimes autoritários, como o apartheid e a ditadura militar.
Participaram da conferência o secretário da Habitação
e Desenvolvimento Urbano do município de São Paulo, Marcos
Barreto; a coordenadora do Programa de Favelas da cidade do Rio de Janeiro,
Márcia Garrido; a secretária do Desenvolvimento Urbano e
Habitação da Cidade do México, Laura Castillo; a
professora da Universidade de Harvard (EUA), Mona Serageldin; o conselheiro
de Nelson Mandela, Eldridge Jerry, morador de Port Elizabeth e o chefe
de Habitação de Durban, Coughlan Pather, ambos da África
do Sul.
O conselheiro Eldridge Jerry ressaltou que a história de discriminação
racial na África do Sul levou muitos negros aos assentamentos informais,
como loteamentos clandestinos e favelas. "Estamos celebrando dez
anos de democracia em nosso país, mas ainda lidamos com as conseqüências
do apartheid. Os municípios negros sempre receberam verba menor,
apesar de serem maioria, por isso as pessoas eram obrigadas a residir
em lugares irregulares", disse.
Na cidade de Durban, na África do Sul, por exemplo, há 3
milhões de habitantes, dos quais mais de 200 mil residem em favelas.
Segundo o chefe de Habitação de Durban, Coughlan Pather,
a urbanização e regularização fundiária
das favelas é um dos principais programas habitacionais na cidade.
"Não temos que retirar as favelas da cidade, mas urbanizá-las",
disse ele, destacando também os programas de São Paulo.
"Temos desafios muito parecidos com os enfrentados na cidade de São
Paulo. Durban pode aprender muito com o que já foi feito nas favelas
paulistanas e estou aqui, de fato, para aprender com as suas experiências".
Segundo Pather, o plano habitacional de Durban, com duração
de cinco anos, prevê a urbanização anual de favelas
com até 16 mil casas. O plano inclui o direito a 16 mil litros
de água por mês e a 50 kw de eletricidade gratuitos por mês.
Por outro lado, o governo também subsidia a construção
de moradia, de acordo com a renda familiar. Renda de US$ 240 é
igual a um subsídio de US$ 3.300 do governo; e de US$ 350 a US$
500, o subsídio chega a US$ 1.100.
O secretário da Habitação de São Paulo, Marcos
Barreto, também destacou as semelhanças da situação
de assentamentos precários, seja no Brasil, no México ou
na África do Sul e a importância de programas diversificados
para enfrentar a complexidade da questão habitacional. "A
dura realidade dessas cidades são muito parecidas. No Brasil, isso
também é resultado de anos de regime autoritário",
disse.
Barreto destacou os principais eixos da política habitacional de
São Paulo: o programa Bairro Legal, que com a urbanização
e regularização fundiária de favelas e loteamentos
garante não só o direito à habitação,
mas o direito à cidade; o programa Morar no Centro, "um marco
dessa administração, pois pela primeira vez o poder público
olha para o centro da cidade como espaço de moradia"; e a
provisão habitacional. "A necessidade de regularizar a moradia
e ter acesso ao imóvel é um sonho muito antigo da nossa
população e da nossa cidade. Com o Bairro Legal, estamos
entregando 40 mil títulos de moradia às famílias
que moram em 160 áreas públicas municipais regularizadas
pela Prefeitura de São Paulo. Também estão em processo
de regularização 69 loteamentos já urbanizados pela
Sehab", afirmou Barreto.
Ao apresentar os programas habitacionais da Cidade do México, a
secretária Laura Castillo, salientou o programa de regularização
de lotes, cuja meta é beneficiar 144 mil pessoas e a construção
de novas moradias na região central.
Já Márcia Garrido explicou o funcionamento do programa Favela
Bairro, que atua também com urbanização e
regularização - em pequenas e grandes favelas do Rio de
Janeiro.
A professora de Harvard, Mona Serageldin, atribuiu o crescimento das favelas,
em países em desenvolvimento, a fenômenos migratórios
e à falta de propriedade da terra. Ela elogiou programas como o
Orçamento Participativo e destacou a importância das intervenções
em favelas e loteamentos irregulares, como faz a Prefeitura de São
Paulo. "Não é uma tarefa pequena porque São
Paulo tem 10 milhões de habitantes, mas são essas ações
que nos dão a esperança de um futuro melhor", concluiu.
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