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Nádia
Campeão
(Secretária de Esportes, Lazer e Recreação da Cidade de São Paulo)
O objetivo desta Conferência é refletir sobre a viabilidade e a
capacidade de as cidades brasileiras receberem um evento poliesportivo
mundial. No Brasil, os últimos eventos desta categoria foram os
Jogos Pan-Americanos de São Paulo, em 1963, e a Universíade de Porto
Alegre, também em 1963. De vulto, no Brasil de hoje, somente o Grande
Prêmio Brasil de Fórmula 1, em São Paulo. A realização de um evento
deste porte colabora com a disseminação do esporte, incrementa a
economia e gera mais empregos.
A Cidade de São Paulo valoriza também esta função do esporte, tendo
estado presente no Seminário do Comitê Olímpico Brasileiro sobre
Candidatura para Jogos Olímpicos no Brasil e sedia os Jogos Sul-Americanos,
juntamente com outras três Cidades brasileiras.
Carlos Nuzman
(Presidente do Comitê Olímpico Brasileiro)
O evento esportivo de maior exigência mundial são os Jogos Olímpicos,
os quais se articulam com a inclusão social, a gestão pública e
a inovação. Exemplos de Jogos vinculados a grandes mudanças em seus
países foram os de Tóquio, em 1964, Seul, em 1988, e Barcelona,
em 1992, que melhor encarnaram o espírito dos Jogos de "Vamos celebrar
a Humanidade".
Para sediar os Jogos é necessário mostrar o espírito de um povo
que está irmanado na organização de um grande evento. Na última
escolha de cidade-sede para os Jogos Olímpicos, perguntou-se aos
representantes de Pequim - a cidade detentora do direito de sediá-los
em 2008 - por que queriam organizar os Jogos. Sua resposta foi que
a organização seria "um legado ao povo chinês", diferentemente de
outra cidade que respondeu "não precisamos dos Jogos, o legado é
para a Cidade".
Os Jogos são resultado de um empreendimento do Comitê Olímpico Internacional,
com a participação dos Comitês Olímpicos Nacionais e das Federações
Internacionais de cada modalidade, mais os parceiros locais da cidade-sede.
Por sua vez, estes parceiros são compostos pelo setor privado e
pelo setor público do país-sede, em seus níveis municipal, estadual
e federal.
Para a próxima candidatura, aos Jogos Olímpicos de 2012, o Comitê
Olímpico Brasileiro vai selecionar a cidade brasileira a ser inscrita
para a seleção pelo Comitê Olímpico Internacional a partir das orientações
contidas num Manual de Candidatura que será divulgado até 31 de
julho de 2002. As Cidades que se apresentarem serão avaliadas por
uma comissão de especialistas do Comitê Olímpico Brasileiro e a
decisão final será decidida numa Assembléia deste Comitê. Cada cidade
terá que apresentar um Plano Diretor Estratégico Olímpico em relação
à sua infra-estrutura e em relação à infra-estrutura esportiva.
A cidade indicada pelo Comitê Olímpico Nacional será uma cidade
inscrita no processo seletivo dos Jogos Olímpicos e será tecnicamente
avaliada em seis quesitos: motivação e conceito dos Jogos; opinião
pública e apoio político; infra-estrutura geral; infra-estrutura
esportiva; logística e experiência; e financiamento.
Estes temas serão desenvolvidos e uma comissão de especialistas
do Comitê Olímpico Internacional analisará cada uma das cidades
inscritas pontuando sua capacidade e viabilidade em sediar os Jogos.
Aquelas que forem aprovadas ganharão o direito de se tornarem cidades
candidatas a sediar os Jogos e inicia-se a fase de disputa internacional
das cidades, de forma a que a Assembléia do Comitê Olímpico Internacional
possa escolher qual delas receberá os Jogos Olímpicos, em decisão
a ser tomada em 2005.
A realização dos Jogos, em 2012, abrigará competições em 28 modalidades
esportivas, divididas em 40 especialidades com respectivos locais
de competição, mais a construção de uma Vila Olímpica para atletas,
um Centro de Imprensa e um Centro de Televisão, com muitos outros
locais de apoio. 150 mil pessoas estarão envolvidas em sua organização,
com 15 mil atletas e técnicos e 500 mil assistentes no local em
dias de pico. Concluindo, realizar os Jogos Olímpicos é um projeto
complexo que deve ser baseado em fundamentos sólidos, resultado
de um trabalho de equipe sob a coordenação do Comitê Organizador
dos Jogos Olímpicos, do Comitê Olímpico Nacional, dos Governos no
País-sede e do Comitê Olímpico Internacional.
Enric Truñó
(Ex-Secretário de Esporte de Barcelona, Espanha)
Os critérios e ferramentas conceituais utilizados na organização
dos Jogos Olímpicos de Barcelona de 1992 foram:
- organizar os melhores Jogos até então realizados;
- utilizar os Jogos como motor de desenvolvimento;
- trabalhar para a Barcelona do pós -Jogos;
- abrir a cidade ao mar ;
- equilibrar o território;
- colocar a cidade no mapa;
- compartilhar os Jogos com 17 cidades (Barcelona é muito menor
que a cidade de São Paulo);
- estimular a cooperação entre os setores público e privado;
- garantir a liderança do setor público local;
- identificar Barcelona - Catalunha - Espanha;
- desenvolver e promover o esporte.
Os Jogos Olímpicos foram o catalisador da recuperação de Barcelona.
Realizados em parceria entre a Prefeitura, o Governo da Província,
o Governo da Espanha e o Comitê Olímpico Espanhol, o Comitê Organizador
foi presidido pelo Prefeito de Barcelona, sendo realizados sem o
objetivo de lucro. Para viabilizar os Jogos foi criada uma empresa
de sociedade anônima que garantiu a necessária agilidade para a
preparação da cidade de Barcelona.
Como a área desta Cidade eqüivale à da região central da cidade
de São Paulo, sobre 17 municípios foram estabelecidas quatro áreas
de concentração de instalações olímpicas. Algumas construções históricas
foram completamente renovadas, preservando-se somente a fachada;
outros equipamentos esportivos foram construídos. Foi construído
um rodoanel e rodovias, mais 4.500 apartamentos a partir da Vila
Olímpica, criando um novo bairro.
Quanto ao financiamento dos Jogos, o evento se autofinancia, sendo
que os investimentos em moradia e telecomunicações se originaram
em fundos privados geridos pelo setor público.
Os principais pontos fortes dos Jogos foram dados pelo fato de o
evento mundial permitir e exigir a concentração de esforços nos
investimentos públicos e privados para resolver o déficit de infra-estrutura,
com a integração do Projeto Olímpico ao Plano Diretor Estratégico
da Cidade. Como pontos fracos têm-se as mudanças limitadas nos transportes
públicos, adequadas aos Jogos, mas que não deixaram as mudanças
desejadas para a cidade, a superestimação da demanda hoteleira e
o aumento do custo de moradia.
Uma candidatura aos Jogos Olímpicos deve conciliar a demanda esportiva
com a demanda urbana, fazendo dos Jogos alavanca para reorganizar
a cidade e da nova infra-estrutura alavanca para impulsionar o esporte.
A candidatura deve se articular com o Projeto do Plano Diretor Estratégico,
respondendo a um modelo de cidade, promovendo o equilíbrio territorial
e o desenvolvimento sustentável.
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